Quarta, 15 de julho de 2026, 18:52
DEFESA

Defesa da DF Trader pede revisão de medidas e diz que bloqueios travam pagamentos

Em nota, advogados afirmam que bloqueio de contas, suspensão das atividades e prisões impedem ressarcimento de clientes.

A defesa da DF Trader divulgou, nesta quarta-feira (15), uma nota pública em que afirma que as medidas cautelares determinadas pela Justiça impedem a empresa de realizar qualquer pagamento aos investidores e inviabilizam a reorganização de suas atividades. Segundo os advogados, o bloqueio de contas bancárias e ativos financeiros, a suspensão das operações da empresa, a apreensão de documentos e equipamentos, além das prisões temporárias dos investigados, impossibilitam qualquer movimentação financeira sem autorização judicial.

No documento, a equipe jurídica sustenta que, enquanto as medidas permanecerem em vigor, não existe viabilidade operacional ou jurídica para que a empresa retome suas atividades ou inicie o pagamento de valores considerados pendentes. A defesa afirma que pretende buscar a revisão das restrições impostas pela Justiça, argumentando que a reativação das operações seria necessária para permitir negociações com investidores e viabilizar uma futura regularização dos compromissos financeiros assumidos pela empresa.

  
 DF Trader Reprodução
 
 
 

Os advogados também rebateram críticas direcionadas aos consultores e parceiros ligados ao grupo. Conforme a nota, essas pessoas não possuem poder de gestão, acesso às contas ou controle sobre os recursos atualmente bloqueados pela Justiça. A defesa informou ainda ter recebido relatos de ameaças e constrangimentos contra consultores, parceiros e familiares dos investigados, classificando essas condutas como ilegais e afirmando que os casos estão sendo acompanhados para eventual responsabilização criminal dos envolvidos. Além disso, os defensores contestaram as prisões temporárias, afirmando que as medidas são desproporcionais e que sua legalidade já está sendo questionada no Poder Judiciário.

A DF Trader é investigada pela Polícia Civil por suspeita de aplicar golpes financeiros por meio da promessa de rendimentos de até 10% ao mês aos investidores. Durante a operação, a Justiça determinou a prisão temporária do empresário Douglas Fonseca e de outras dez pessoas, além do bloqueio de bens, contas bancárias e da suspensão das atividades da empresa. De acordo com a investigação, o grupo teria movimentado aproximadamente R$ 100 milhões em cerca de dois anos. Desde o cumprimento das ordens judiciais, mais de 500 pessoas procuraram a polícia para relatar prejuízos e registrar denúncias relacionadas ao caso. A investigação segue em andamento sob sigilo judicial.


Confira a nota da defesa:  

NOTA À IMPRENSA  

A defesa técnica do DF GROUP e dos investigados esclarece  que, em razão das medidas cautelares atualmente em vigor (dentre elas a  prisão temporária; o bloqueio de contas e ativos financeiros; a  suspensão das atividades da empresa; e a apreensão de documentos e  equipamentos), a empresa encontra-se impossibilitada de desenvolver suas atividades e de realizar pagamentos ou qualquer movimentação  financeira, sob pena de descumprimento de ordem judicial.  

Enquanto permanecerem essas restrições judiciais, não há  viabilidade operacional ou jurídica para a reorganização das atividades  da empresa, tampouco para a retomada de qualquer fluxo regular de  pagamentos.  

A defesa esclarece, ainda, que os “consultores”/“parceiros”  não detêm poder de gestão, administração financeira ou disponibilidade  sobre os recursos atualmente atingidos pelas medidas judiciais, razão  pela qual também foram diretamente impactados pelas medidas impostas.  

Lamentamos e repudiamos os relatos de ameaças e  constrangimentos dirigidos a consultores, parceiros e familiares,  reiterando que essas pessoas não possuem qualquer controle sobre os  ativos e recursos atualmente indisponíveis por determinação judicial.  Eventuais condutas que extrapolem os limites da legalidade já estão  sendo apuradas, com a adoção das providências necessárias para a  responsabilização criminal dos respectivos autores.  

A defesa reitera sua convicção de que as prisões efetuadas  são desproporcionais e juridicamente questionáveis, razão pela qual sua  legalidade já está sendo discutida no Poder Judiciário. Paralelamente,  seguimos atuando para buscar a revisão das demais cautelares impostas,  por compreender que a retomada das atividades empresariais constitui  passo indispensável para a reconstrução da capacidade operacional e  financeira da empresa. Restabelecidas as atividades, a DF TRADER  iniciará o processo de contato com todos os investidores para negociar e regularizar as pendências eventualmente existentes da melhor forma  jurídica e operacional possível.  

Por fim, informamos que toda e qualquer manifestação oficial  relacionada ao caso será prestada exclusivamente pelos advogados  constituídos pela empresa e pelos investigados, preservando a  regularidade das investigações e evitando a circulação de informações  imprecisas. Os inquéritos tramitam em sigilo, razão pela qual terceiros  não possuem acesso ao conteúdo dos autos nem às informações necessárias  para prestar esclarecimentos públicos com segurança e fidelidade aos  fatos.  

Atenciosamente,  

Fernando Amaral (OAB/PI 4002), Galvão Neto (OAB/PI 21769),  Helane Santos (OAB/PI 17374), João Pedro Morais (OAB/PI 24510) e Taline  Prado (OAB/PI 21340).  

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